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<流水腐尸>的葡文版
ひさ 发表于 2008-06-20 13:26:59
注: 中文版写于2006年12月10日,葡文版写于2007年5月12日前后, 基本是忠于原文的翻译.因为一些原因不便把原文原封不动地公开,想看原文的兄弟们请和我联系,择日定将拙作奉上.
Água Corrente, Cadáver Podre
Antes de se tornar maduro, o fruto é azedo e amargo. Pouco a pouco, ele vai tornando-se doce, até doce forte, doce podre.
Provei o sabor do meu sangue, provei este doce podre. Sim, estou morta. Mas já não me lembro como morri, se calhar...um assassínio ordinário. Não consigo, porém, encontrar a minha cabeça, ou sejá, só tenho um corpo. Sei que morri perto da escola, mas não consigo encontrar a minha cabeça.
Para dizer a verdade, não acho que a morte seja má. Claro, quem diz isto tem que ser um morto. Porque só os alunos que chumbaram no teste é que têm o direito de dizer que não é mau chumbar. Só os desempregados é que têm o direito de dizer que não é mau perder o trabalho.
Seja o que for, sinto-me bem, tenho coragem. Mas a minha maior preocupação é a minha cabeça perdida. Quando vivia tinha sempre muitas preocupações, mesmo depois da morte não consigo escapar! Começo a ficar zangada, porque é que esquecem da minha morte? Porque é que não se lembram de dar-me um cadáver íntegro?
Passeio noite após noite no bairro residencial. À meia-noite há sempre alunas ousadas que brincam, leêm livros e lavam roupa. Assim que têm tanta energia, porque é que não podem dar-me uma mãozinha? Então, encontro uma menina mais saudável, obrigo-a a escavar o meu cadáver e a procurar a minha cabeça, fazendo ameaças como " se não, vou fazer desastres nos seus exames, nas suas oportunidades de estágio". Ela concorda, chorando. Passados três dias, o meu cadáver fica fora da terra, ela, por sua vez, escondendo a cabeça, ameaça-me. Exige-me que lhe arranje um estágio. Tenho que prometer...Clár, ganho sempre sucesso. O professor escolhe-a mesmo que ela não tenha qualificações. Está satisfeita e devolve-me a minha cabeça. A minha cabeça! A minha pobre cabeça foi tocada pela mão suja dela!
Ela vai pedir férias a uma outra professora da faculdade. Eu estou também no gabinete, mas ela não pode ver-me. A garota está mesmo satisfeita consigo...Olho para o purificador de água. Está tão limpa a água! Aquela professora concorda dar férias, mas antes quer beber, porque está a morrer de sede. Assim a professora enche o copo com a água do purificador. Bebendo bebendo...sente o sabor do sangue, o doce podre. Fica pasmada, tão pálida como um fantasma, porque vê uma cabeça no purificador, uma cabeça sorridente. Aquela menina, naturalmente, fica assustada. Parece que a sua cara agora é feita de pó. Ainda não sabe que há uma multidão em frente do prédio, porque está lá pendurado um cadáver na varanda do dormitório dela. O cadáver está a secar e vai ser muito limpo. E ela, vai ser presa. Já a resolvi, foi canja!
Água Corrente, Cadáver Podre
Antes de se tornar maduro, o fruto é azedo e amargo. Pouco a pouco, ele vai tornando-se doce, até doce forte, doce podre.
Provei o sabor do meu sangue, provei este doce podre. Sim, estou morta. Mas já não me lembro como morri, se calhar...um assassínio ordinário. Não consigo, porém, encontrar a minha cabeça, ou sejá, só tenho um corpo. Sei que morri perto da escola, mas não consigo encontrar a minha cabeça.
Para dizer a verdade, não acho que a morte seja má. Claro, quem diz isto tem que ser um morto. Porque só os alunos que chumbaram no teste é que têm o direito de dizer que não é mau chumbar. Só os desempregados é que têm o direito de dizer que não é mau perder o trabalho.
Seja o que for, sinto-me bem, tenho coragem. Mas a minha maior preocupação é a minha cabeça perdida. Quando vivia tinha sempre muitas preocupações, mesmo depois da morte não consigo escapar! Começo a ficar zangada, porque é que esquecem da minha morte? Porque é que não se lembram de dar-me um cadáver íntegro?
Passeio noite após noite no bairro residencial. À meia-noite há sempre alunas ousadas que brincam, leêm livros e lavam roupa. Assim que têm tanta energia, porque é que não podem dar-me uma mãozinha? Então, encontro uma menina mais saudável, obrigo-a a escavar o meu cadáver e a procurar a minha cabeça, fazendo ameaças como " se não, vou fazer desastres nos seus exames, nas suas oportunidades de estágio". Ela concorda, chorando. Passados três dias, o meu cadáver fica fora da terra, ela, por sua vez, escondendo a cabeça, ameaça-me. Exige-me que lhe arranje um estágio. Tenho que prometer...Clár, ganho sempre sucesso. O professor escolhe-a mesmo que ela não tenha qualificações. Está satisfeita e devolve-me a minha cabeça. A minha cabeça! A minha pobre cabeça foi tocada pela mão suja dela!
Ela vai pedir férias a uma outra professora da faculdade. Eu estou também no gabinete, mas ela não pode ver-me. A garota está mesmo satisfeita consigo...Olho para o purificador de água. Está tão limpa a água! Aquela professora concorda dar férias, mas antes quer beber, porque está a morrer de sede. Assim a professora enche o copo com a água do purificador. Bebendo bebendo...sente o sabor do sangue, o doce podre. Fica pasmada, tão pálida como um fantasma, porque vê uma cabeça no purificador, uma cabeça sorridente. Aquela menina, naturalmente, fica assustada. Parece que a sua cara agora é feita de pó. Ainda não sabe que há uma multidão em frente do prédio, porque está lá pendurado um cadáver na varanda do dormitório dela. O cadáver está a secar e vai ser muito limpo. E ela, vai ser presa. Já a resolvi, foi canja!
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